Ao observar a trajetória da mulher, desde que foi concebida a partir da costela de Adão, é possível perceber que sua capacidade mais menosprezada foi a inteligência. Às mulheres sempre foi dificultado o acesso à escola e ao estudo. Algumas aprenderam a ler e escrever por serem de castas privilegiadas e podiam usar este saber para ler e declamar versos e poesias ou se dedicar a livros amenos. Elas podiam, também, se voltar para a arte da música, cantar e tocar algum instrumento, mas sempre na perspectiva do entretenimento. E, na história, de maneira geral, as mulheres sempre foram a ´mulher que está atrás de um grande homem´, em todas as esferas da vida.

Mas muitas mulheres não se resignaram a essa posição de ´inferior´. Acreditaram em si mesmas, usaram sua criatividade e persistência, não se incomodaram com os Nãos recebidos ou com a falta de apoio – verba, então, elas não tinham mesmo.

A grande façanha das mulheres cientistas foi conseguir mostrar que, sendo bastante inteligentes, espertas, dedicadas e ousadas, poderiam usar essas qualidades para desenvolver novas ideias e conhecimentos. Foram muitas as mulheres que foram buscar respostas a tantas perguntas não respondidas sobre o mundo. Insistiram na luta para expressar seus conhecimentos, realizar o que acreditavam e concretizar seus sonhos.

Muitas tiveram um pai ou uma mãe que venciam os limites do gênero e foram os incentivadores na busca de conhecimento. Outras foram à luta sozinhas, com audácia, indo contra as barreiras de uma sociedade tão machista, renegando a família ou sendo renegadas por ela, não desistindo diante dos obstáculos, dizendo “Tente me impedir”.

São muitas as cientistas que deixaram descobertas incríveis, em todas as áreas. Física, química, biologia, medicina, matemática. Bárbara McClintock mapeou cromossomos do milho e descobriu os transposons – genes que podem ‘pular’ para partes diferentes do cromossomo, modificando-o e podendo dar origem a mutações, tão na vanguarda neste momento de vírus à solta. Só foi reconhecida muitos anos mais tarde e recebeu o prêmio Nobel em 1983. 

Marie Curie foi outra grande cientista. Trabalhou e estudou com seu marido, descobrindo a radioatividade. Ganharam o Nobel de Física em 1903. Mas Marie viria a ganhar um outro Nobel, de Química, em 1911, sozinha, por ter descoberto os elementos Polônio e Rádio.

São muitas as cientistas que conseguiram romper barreiras e se destacaram num mundo masculino, preconceituoso e segregacionista. A duras penas, com certeza, alcançaram algum reconhecimento. Entretanto, muitas delas foram esquecidas e seus feitos atribuídos a outros. E algumas chegaram a usar pseudônimo pra terem seus trabalhos aceitos. Não dá pra imaginar o que o mundo perdeu, ao longo de seus milênios, por ignorar e desconsiderar a inteligência da mulher.

Pesquisando sobre este tema, é nítido observar que a mulher, nas áreas da ciência, só começou a ganhar algum destaque a partir dos dois últimos séculos, quando, timidamente, passou a brigar por seu real papel enquanto Ser, capaz de pensar e produzir. Ainda hoje a mulher é pouco reconhecida nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia, matemática e, tem que se desdobrar para desbravar muitos caminhos. Falta incentivo, apoio e reconhecimento. 

Quantas mulheres existem em todos os cantos deste mundo, capazes de fazer perguntas, observar acontecimentos, pesquisar em laboratórios, dedicar-se a buscar explicações e conhecimentos, trazer à luz novas descobertas. As mulheres continuam arriscando muito de sua vida pessoal e familiar para explorar, descobrir e, muito mais do que isto, continuar a inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo.

Minhas reverências e homenagens a todas elas.

Obs. Na procura por imagens relacionadas à ciência, quase não existem fotos, ou qualquer outra imagem, com mulheres. Ou são seres neutros ou homens.

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Cristina Bonafé
Cristina Bonafé
7 meses atrás

Texto com tema excelente e muito bem escrito.
Importante realçar a participação da mulher na ciência – um campo que sempre foi um “clube masculino”.
Também no campo da Literatura algumas mulheres chegaram a adotar pseudônimos masculinos ou andróginos para terem suas obras reconhecidas.
Mediante a coragem destas heróicas pioneiras, este panorama começa a mudar, mas ainda bem lentamente e embebido em muito preconceito.
Sobre o papel primordial da mulher na maternidade aqui comentado por leitor, este papel permanece pois gestação, parto e amamentação são funções primordialmente femininas. Mas noto que, nos casais jovens, tem sido cada vez mais comum homens dividirem ou até assumirem atividades domésticas e da educação dos filhos, o que possibilita às mulheres se dedicarem mais a sua vida profissional.
Que novos tempos tragam oportunidades a todos!… E que venham mais textos como este!

Anônimo
Anônimo
7 meses atrás

Excelente texto. Parabéns!

Odilia D'Angelo
Odilia D'Angelo
7 meses atrás
Responder a  Anônimo

Obrigada. Você pode se identificar?

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