Quantas vezes não usamos essa expressão para que alguém deixe de nos incomodar?

Ela surgiu lá pelo século XIX, em Portugal, no período da Revolução Industrial. Naquela época, trabalhar em uma fábrica era motivo de orgulho, de status, ao contrário do agricultor que era tido como pessoa desqualificada e pouco inteligente. Era também um período em que os pequenos agricultores cultivavam batatas, pouco valorizadas então, e que sabiam que batatas não se plantavam, se semeavam. Daí o famoso dito “Vá plantar batatas” significa “deixe de me incomodar, vá fazer algo sem sentido, sem valor”.

E, plantar batatas na Europa, foi atividade inferior por bastante tempo. Chegada à Europa logo após o descobrimento do Novo Mundo, a batata foi bastante estigmatizada. Falava-se muito sobre ela. Que seu valor nutricional era baixo, que tinha gosto de terra, que só servia para alimentação de animais. Chegou a ser chamada de “testículos da terra”, devido ao formato, e também de maçã de Eva, e, maliciosamente, diziam que ‘incitava a luxúria’. Também por seu aspecto, foi comparada às feridas da lepra e que poderia causar problemas de saúde. Em outros lugares, as elites diziam que era alimento de pobres e mendigos – especialmente por ser de origem indígena, deveria ser alimento para bárbaros e escravos. Lembrando que a origem da batata é da Cordilheira dos Andes, alimento essencial para os Incas, por milhares de anos.

Mas a vida ensina e a Europa passava por períodos de inverno rigorosíssimo e primaveras muito frias, o que interferia na produção de alimentos. A fome rondava por todos os lugares e a batata passou a se mostrar importante fonte de alimentação. Teve excelente adaptabilidade ao clima frio europeu, com maior produção por área plantada (especialmente se comparada ao trigo, olivais, vinhas), levando a um custo bem menor de produção também por não necessitar de moendas, de fácil preparo e maior tempo de vida. Aos poucos, à medida que a escassez de alimentos avançava por todas as camadas sociais, a batata passou a fazer parte do cardápio de todos. Foi ração de soldados em guerra, alimentou pobres e escravos, deu nutrição e energia aos trabalhadores da Revolução Industrial.

Atualmente é, juntamente com o trigo, o arroz e o milho, um dos alimentos mais consumidos no mundo. Sua produção espalhou-se por todos os lados. São encontradas milhares de variedades, de diversos formatos, cores, tamanhos e sabores. E, por ter cheiro e gosto pouco acentuados, permite infinitas combinações com ervas e temperos, e modos de preparo. Normalmente, é pouco consumida crua. Sua cocção passa por todas as possibilidades. Cozida, assada, frita. Em saladas, sopas, tortas, pães e bolos. Um belo acompanhamento para carnes, peixes, verduras e legumes. Podem ser preparadas inteiras, fatiadas, cortadas, amassadas, como farinha. Na Itália virou nhoque. Em Portugal ganhou murros e a companhia constante do bacalhau. Na França fizeram a batata sauté, e o peixe com fritas na Inglaterra. Nos fast foods e nos barzinhos não pode faltar a tal da batata frita. No Brasil, quem não comeu bife à rolê com purê de batatas, ou batatinhas ao vinagrete? E tem a batata palha, a chips, a recheada… Já na Irlanda, é ingrediente de um tradicional destilado de elevado teor alcoólico – o Irish poteen.

Da origem indígena sul americana, a batata passou do desprezo à glória. Da comida de porcos para os pratos da alta gastronomia. Alimento energético e nutritivo, aliviou a fome de gerações e, hoje, delícia a todos com preparações que dão água na boca. Uma preferência mundial.

Vai uma dica de preparo:

Descasque e corte a batata em tiras mais largas. Cozinhe em água, sal e louro até ficarem al dente. Escorra, coloque espalhadas em uma forma, regue com azeite e manteiga derretida, em partes iguais. Espalhe sobre elas uma generosa porção de gergelim e de queijo parmesão ralado. Leve ao forno em temperatura bem alta até ficarem levemente douradas.

Coma da forma que preferir: aperitivo, acompanhando carnes ou peixes, com arroz. Use sua imaginação e delicie-se!!

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Beth
Beth
7 meses atrás

Interessante a história das batatas! Adoro tudo que vem da batata. Um belo inhoque à bolonhesa é tudo de bom.

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