A pandemia e a necessidade de fugir de aglomerações têm nos afastado não só da família e amigos, mas também está transformando a rotina, antecipando feriados, alterando datas comemorativas. Às vezes nos perdemos nos dias da semana, em outros momentos não sabemos se o feriado foi ou vai ser. E, hoje, é um desses dias, dia de Corpus Christi, feriado que foi antecipado.
Celebrado sempre numa quinta-feira, sessenta dias após a Páscoa, é feriado municipal. É uma comemoração religiosa, essencialmente da Igreja Católica, uma de suas festas mais importantes, onde se celebra o mistério da Eucaristia. Os fiéis devem ir à missa receber a Hóstia – um fino disco feito com trigo – que, quando consagrada durante a cerimônia da missa, passa a representar uma pequena parte do corpo de Cristo. A origem dessa celebração vem do século XIII quando o Papa Urbano IV buscava reafirmar a importância da presença de Jesus nos rituais litúrgicos da Santa Missa. Nesse dia, além de ir à igreja, receber a comunhão e a aceitação de Cristo, são realizadas procissões pelas ruas, visando “testemunhar publicamente a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia”. (Código do Direito Canônico, 944).
Essas procissões – cortejos religiosos que carregam símbolos importantes da religião e, precedidos por padres e outros clérigos, os fiéis fazem orações e entoam cânticos – são de um significado muito profundo na celebração do Corpus Christi. Os portugueses trouxeram para o Brasil a tradição de decorar as ruas por onde as procissões de Corpus Christi deveriam passar, quando eram estendidos nas janelas e parapeitos, tapetes coloridos, lençóis e toalhas bordadas. A arte de decorar as ruas migrou para o chão onde se pisa e, hoje, muitas cidades festejam esta data produzindo belíssimas representações dos símbolos da Eucaristia e da Igreja Católica. Ruas inteiras são cobertas com flores, serragem, areia, borra de café, pedras coloridas, materiais recicláveis, e tantos outros materiais disponíveis, sendo que a grande maioria das vezes, é a população quem realiza esse trabalho, como forma de participar e contribuir para as festividades.
Em Pirenópolis, Goiás, as ruas são decoradas com folhas e flores do cerrado desde 1980.
No Espírito Santo, na cidade de Castelo, a festa tem mais de 50 anos de tradição e tem exposição permanente sobre a história dos tapetes.
Em São Paulo, são várias as cidades que seguem a tradição dos tapetes. Em Ibitinga são valorizados os produtos da indústria e do artesanato local, os enxovais de cama, mesa e banho.
E Em Santana do Parnaíba
Religião e Arte estiveram sempre fortemente ligadas. A representação visual, principalmente através da pintura e escultura, manteve-se ao longo de séculos, como forma de manifestar o simbolismo e a presença de Deus em algo belo e concreto. São incontáveis as obras de arte que perpetuam a espiritualidade e religiosidade dos povos. Aqui, enaltecemos a obra da população, dos fiéis que, com carinho, fé e orações, elevam seus pensamentos a Deus, numa realização que se transforma em obra de arte, e que permanecerá apenas nos olhos de quem as viu.
A arte já é, por si, uma manifestação divina. Nada melhor que ela, a arte, para simbolizar o “corpo de Cristo”.
Ótimo texto realçando esta tradição artística e religiosa.