Por Maria Isabel

Na Idade Média, em alguns países da Europa, muitas pessoas, maioria mulheres, que não se convertiam ao cristianismo ou que não seguiam as regras da sociedade, eram chamadas de bruxas e sofriam as penalidades da Inquisição.

Na verdade, eram pessoas com muita sabedoria, com conhecimentos da ciência, da medicina, da natureza, das ervas, conhecimentos herdados de suas mães e antepassados. Outras vezes, eram pessoas com algum dom ou sensibilidade, que lhes permitiam prever acontecimentos e curar doenças. Essas pessoas existem até hoje, embora muitos não acreditem.  

Dia desses, conversando com minha mãe Maria, ela começou a contar histórias da sua infância e adolescência, e falou de um homem que morava em sua cidade, no interior de São Paulo.

Chico Adão era o seu nome e ele era um curandeiro. Estranho, tinha o dom até de desaparecer, andava sempre de terno branco de linho, descalço, e às vezes, surgia do nada. As pessoas tinham algum receio dele, mas ele fazia o bem, atendia os moradores da cidade e de localidades vizinhas, fazia benzimentos, indicava e doava seus remédios, sempre feitos à base de ervas, consideradas milagrosas por muitos. Segundo a minha mãe, as “garrafadas” do Chico Adão faziam mesmo milagres, eram muitos os casos de cura. 

Ela conta que uma vez, uma mulher, de nome Rita, moradora da cidade, havia tentado o suicídio, cortando o pescoço. Chico Adão foi chamado e com suas benzeduras estancou o sangue, salvando a vida da mulher.

Em outra oportunidade, uma outra mulher que todos consideravam louca, foi levada até ele. A família não aguentava mais os ataques de loucura e o Chico Adão era a última esperança, amarrada, ela foi levada até ele. A mulher se debatia dentro do carro e, antes mesmo de entrar em sua casa, ele ordenou que a soltassem. Todos ficaram receosos, mas atenderam a sua ordem, a soltaram, e a mulher chegou calmamente até ele. Foi benzida, medicada e foi embora curada.

Meus avós moravam em um sítio, distante da cidade, e um de seus filhos, ainda bem pequeno, era uma criança frágil, mal dava alguns passos. Um dia ele desapareceu da porta de casa. Foi um desespero, ninguém conseguia imaginar onde poderia estar, a casa era longe de tudo, todos começaram a procurá-lo, no mato, no riacho, até que o Chico Adão apareceu ao longe, com a criança no colo. Uma situação que nunca foi explicada ou entendida.

Em outra oportunidade, aconteceu algo curioso com minha tia. Ela era criança ainda e sofria com convulsões. Minha avó, extremamente preocupada, não dormia, temia que uma convulsão acontecesse durante a noite.

Um dia, sua mãe, minha bisavó, que acreditava muito no Chico Adão, o chamou para ver o que ele poderia fazer. Ele chegou pediu um copo de água para minha avó, pegou a criança no colo e ficou rezando e dando voltas na casa. Quando terminou pediu para minha avó beber aquela água: nunca mais minha tia sofreu convulsões.

O que explica isso? Foge à razão? São milagres? São crendices?  Mas minha mãe garante que são fatos, são situações que aconteceram de verdade, confirmados pela minha avó e por muito moradores daquela cidade.

Em outros tempos, certamente ele seria queimado.

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Humberto
Humberto
6 meses atrás

Nos meus tempos de menino, nunca ouvi falar em pediatras. As benzedeiras davam conta de tudo. Se não davan conta é porque a criança tinha que morrer mesmo. Sobrevivi. Graças a Dona Alzira e outras benzedeiras.

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