Nos dias atuais receber e enviar mensagens, informar-se sobre acontecimentos e notícias, ler livros, é de uma facilidade e praticidade incríveis, basta ter um computador ou um celular – tudo está disponível online.

Para chegar a este estágio de desenvolvimento, o caminho percorrido foi muito longo, as descobertas foram sendo conquistadas lentamente, acompanhando a evolução da escrita e a necessidade de deixar informações para as gerações seguintes. Passaram-se séculos, ou melhor, milênios, desde os primeiros símbolos rupestres até chegarmos aos nossos eBooks, e o envio e recebimento imediato de mensagens.

Desde a representação gráfica por ideogramas – onde o desenho da maçã a representa em qualquer situação – até a utilização de símbolos abstratos – como as nossas letras – passaram-se milhares de anos. Foram usados materiais diversos, começaram as inscrições em pedra e madeira, usaram o sangue, a fuligem, óleos e plantas para registrar os desenhos, até chegarem à tinta. Houve muita pesquisa – no Egito e na Ásia – passaram por papiros e pergaminhos até chegar ao papel, faziam as inscrições com objetos pontiagudos até chegar à caneta esferográfica. Usaram carimbos feitos de cerâmica ou madeira até chegarem à máquina de escrever. 

Papiro

                                 

Pergaminho

Em contraposição ao imediatismo na publicação de notícias, informações, relatos e histórias no sistema online de nossos dias, a elaboração de um livro ou documento levava muito tempo nos primórdios da escrita. Eram os Manuscritos. Cada livro era copiado, escrito à mão, um a um, e representaram a forma principal de divulgação até o surgimento da imprensa no século XV. Desse trabalho todo, surgiram os Manuscritos Iluminados. Eram escritos pelos monges nos mosteiros medievais e demandavam um trabalho artesanal minucioso de artistas de letras, desenhos e pinturas. No auge de sua produção, foram feitos livros belíssimos, com iluminuras e decorações com ouro, prata e cores brilhantes. Eram produzidos em base de pergaminhos feitos a partir de pele de cabras ou ovelhas, cuidadosamente preparados num processo lento e trabalhoso para ficarem com superfície lisa e clara, durarem muito tempo e prontos para receberem tintas e cores. Depois, eram cortadas folhas do tamanho requerido para o livro. 

As folhas dos pergaminhos prontas eram encaminhadas aos escribas que nelas desenhariam todas as letras do texto escolhido, com penas e tintas preparadas, muitas vezes, por eles mesmos. Depois de todas as letras colocadas, as folhas eram levadas a um pintor que decorava as letras iniciais e as bordas das páginas, com desenhos, símbolos e arabescos, muitas vezes recontando o texto escrito, usando, além das tintas coloridas, metais preciosos como o ouro e a prata, finalizando o delicado trabalho de iluminação do texto. Quando tudo estava terminado, o manuscrito seguia para encadernação, as folhas costuradas com fio de linho e tudo encaixado entre tábuas. O volume era encapado e decorado com vários materiais – couro, seda, veludo e até com metais esculpidos. Toda a produção e acabamento dependia da riqueza de quem encomendava ou do uso destinado. Após meses de complexo trabalho, mais um Manuscrito Iluminado, mais uma obra de arte, mais uma obra única era produzida. 

A chegada de Gutenberg – reinventor da imprensa – mudou definitivamente todo o processo de produção de um livro. Antes raros e caros, os livros passaram a ser mais abundantes e, de certa forma, impulsionaram as pessoas a aprenderem a ler, a aperfeiçoar e acelerar a comunicação. 

Os manuscritos Iluminados que sobreviveram estão, hoje, nos museus e bibliotecas do mundo mas, podem ser vistos e apreciados online. Puro encanto para os olhos!

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Salmon
Salmon
1 mês atrás

revolução

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