Família também dá muita história pra contar. Especialmente quando se tem um irmão temporão, único herdeiro homem. Mimado. Claro que esta é minha opinião, não a dele. Mas… a história é minha.

No início deste século começamos a passar o réveillon na praia. Com família pequena, sempre tivemos amigos por perto, especialmente em datas festivas e nas férias. Naquele tempo era em Peruíbe. Como sempre, eu tinha como tarefa cuidar da comida, especialmente em datas especiais. Tinha já pronto o cardápio, como sempre pois gosto de tudo organizado, era só tirar do freezer e preparar a mesa.

Chega meu irmão, no dia 30, à noite, sugerindo mudar o prato principal: a carne. Afinal, novo ano novas experiências. Um seu amigo tinha sugerido fazer um javali para a ceia do dia seguinte.  Ele indicou um certo lugar, pros lados da Serra do Mar, próximo a Itanhaém, onde vendiam o tal do bicho. O mano insistiu que o local era bem recomendado e que valia a pena tentar. 

Na manhã do dia seguinte, ao invés de ir à praia, fomos nós – eu, ele, e um casal de amigos – procurar o javali.   Até Itanhaém são 20 Km. E não sei mais quantos até o tal sítio. E, meu caro irmão, não sabia onde era, tinha só algumas referências. Não foi fácil chegar ao local, nos perdemos, estrada de terra e sem ninguém pra perguntar. 

Chegamos lá, finalmente. Tudo muito rústico. Uma senhora nos atendeu e disse que tinha um – congelado. Fomos ver, era maior do que queríamos. “Ah…posso cortar no meio”. Imediatamente meu irmão autorizou, sem questionar se queríamos ou não.

Na serra que tinha no quintal, a tal senhora serrou o javali e levamos o traseiro.  Congelado. Era para o jantar daquela noite, última do ano. Conseguimos chegar em casa no meio da tarde, enfrentamos trânsito na estrada, típico de um 31 de dezembro.

Quem vai fazer??? Quem gosta de cozinhar, não é ??

Com a ajuda de meus amigos, lavamos e relavamos o tal traseiro. Muito limão para limpar e desinfetar. Ainda congelado.

Preparamos o restante da comida. Pra ganhar tempo, salguei o bichinho e coloquei no forno. Ia regando com um molhinho conforme ia descongelando.

E o irmão? Vinha só para perguntar: Como temperou? Vai pegar bem o sal? Quando fica pronto? Só palpitando…Ai que vontade de jogar tudo fora!!!!

Enfim, depois de um dia estressante, de preocupação e muito cuidado com o forno, fomos jantar quase na virada do ano. O javali estava ótimo!!!

Mas eu tive que ouvir:

“Viu? Falei que o javali é gostoso! Se não fosse eu, vocês não teriam isto!! Eu só dou boas indicações”. E ainda…  ”E com cerveja geladíssima como só eu sei servir.”

Por Elisa Germano – que diz adorar o outrosolharesblog

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Anônimo
Anônimo
9 meses atrás

Com certeza…

Isabel
Isabel
9 meses atrás

Nossa! Já ouvi a mesma história mas de outra pessoa! Acho que todos temos alguém assim como este irmãozinho, certo?
Adorei.

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